A atividade desenvolve corpo e mente dos alunos
A busca pelo auto-controle e a diminuição na agressividade de alunos do Centro de Formação Tereza Verzeri proporcionou, há cerca de três anos, a criação da Oficina de Capoeira. Realizada nas segundas-feiras, contando com duas turmas, a atividade é ministrada por Bruno Martins, professor de Educação Física e integrante do Grupo Caúna Capoeira, para cerca de 20 alunos, entre meninos e menina s – que começaram a participar este ano – que tem de 11 a 14 anos e estudam da 5ª até 8ª série.
Os alunos são selecionados no início de cada ano letivo, a partir de inscrição voluntária na oficina, põem estão sendo constantemente avaliados pelo professor da oficina em conjunto com os demais para avaliar se entre os interessados que se inscreveram todos estão de acordo com a aplicação da atividade e os que não se encontram nesta situação são retirados e repassados a outra oficina.
Nesta atividade os oficineiros aprendem golpes, esquivas, além de melhorar a disciplina e controlar a agressividade. O professor exemplifica o trabalho realizado através da evolução dos gêmeos Natan e Tainan Liscano, de 11 anos, em especial o caso de Tainan “que era bastante agressivo apesar de ser amigos de todos, quando embrabecia não importava quem fosse, ele batia e agora já tem um auto controle”, declara Bruno.
Jovem de 12 anos, estudante da 6ª série, Alexander Godói dos Santos começou a participar da oficina de capoeira por curiosidade e gostou da novidade oferecida pela escola, participando desde o início. Quando houve um interrupção nos trabalhos – a escola precisava de mais tempo para dedicar as oficinas de ginástica que estavam começando – o aluno não desistiu do esporte e procurou um dos grupos particulares existentes em São Borja para dar sequência ao aprendizado e à prática.
Para ele “respeitar os mais velhos, pois quando há uma corda maior (corda na capoeira é o mesmo que as faixas dos tae-kon-do), você não pode desafiar” é o maior ensinamento da capoeira e declara que “sente alegria na capoeira”. O aluno percebe também que nas apresentações que o grupo realiza muitas pessoas se interessam em participar e demonstra desapontamento pelo pouco número de aulas dadas, já que o que é ensinado em uma semana acaba muitas vezes caindo esquecimento até o próximo encontro.
Apaixonado pela capoeira, Alexander afirma que quando sair do educandário, daqui dois anos, vai procurar um grupo particular para continuar aprendendo e exercitando a arte da capoeira.
Além deste trabalho “psicológico”, as aulas contam com aplicação de técnicas, teoria e história da capoeira, inclusive abordando ritmos e instrumentos – adquiridos pelo CFTV para o grupo e da doação de um berimbau pelo professor – integrantes do esporte através de vídeos e revistas: “A capoeira para trabalhar com ela tem que ser completa, não adianta o aluno chegar, ser bom tecnicamente e não saber nada da história, então eu sempre trabalho em conjunto a teoria e a prática”, destaca o professor.
O Grupo de Capoeira do CFTV é chamado para realizar apresentações principalmente em escolas, além de praças e na Câmara Municipal, quando o evento trata de cultura. Para tais apresentações os adolescentes usam os abadas (calças de capoeira), confeccionadas a partir de um projeto realizado há dois anos para compra do material, além de uma camiseta do Projeto Criança Esperança, para identificação da escola.
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| Alunos aprendem a ser mais calmos na capoeira, o que... |
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| gera também mais concentraçãonos estudos. |
UM POUCO DA HISTÓRIA DA CAPOEIRA
Iniciada na época dos escravos, com negros vindos mais precisamente da região de Angola, a capoeira surge como um grito de liberdade, pois quando os negros fugiam e os feitores tinham de buscá-los eles treinavam esta luta para poder combater, já que não tinham armas e procuravam a fuga da escravidão.
A música existe na capoeira porque neste período, enquanto alguns negros treinavam esta luta, um vigia ficava de guarda e quando avistava o feitor tocava uma espécie de berimbau feito de arames, porongo e madeira – e às vezes até com latão – para dar a ideia aos feitores de que a luta era uma dança ingênua dos negros. Não havia fala, apenas o vigia começava a tocar o berimbau e os negros começavam a dançar.
Após a libertação dos escravos, em 1888, a capoeira foi proibida, pois quando os negros foram para as ruas muitos a utilizaram para saquear e assaltar estabelecimentos comerciais. O branco se inseriu nesta luta e levou suas armas brancas, marginalizando a capoeira. Anos depois foi promulgada uma lei que incluiu a capoeira do Código Penal Brasileiro.
Na época de Getulio Vargas, o então Presidente da República convidou o Mestre Bimba – Manoel dos Reis Machado – para fazer uma apresentação de capoeira no governo. A partir desta apresentação foi liberada a atividade no País, sendo criada a “1ª Academia de Capoeira”, fazendo com que se perdesse o cunho de atividade marginal, pois só quem podia participar da academia do Mestre Bimba era quem possuía carteira de trabalho assinada.
Com isto a capoeira começou a ir para escolas, academias, apresentações em praças e locais públicos, sendo difundida para vários países, dentre eles: Japão, China e Estados Unidos.
Atualmente foi reconhecida como único esporte brasileiro e há uma lei esepcificando que sua prática deve ser lecionada em todas as escolas do Brasil. Já existem também cursos pós-graduação em capoeira, voltados para profissionais da área da saúde e professores de educação física.
Em são Borja existem hoje dois grupos:o Caúna Capoeira e o Axé Capoeira. O Caúna é composto de três professores, que também dão aulas em outras escolas e em academias, onde se reúnem os integrantes que buscam mais experiência. Também realizam rodas de capoeira nas praças, geralmente nos domingos.
Para fazer parte do grupo nas academias são formadas turmas onde os alunos são identificados – para não ocorrer desvio dos princípios e do cunho educativo da capoeira, por ela não deixar de ser também uma luta.
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AMAS – Assessoria de Imprensa do Centro de Formação Tereza Verzeri
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